
16.05 — 14.06.2015 · CAAA, Guimarães · Ana Santos e Paulo Aureliano da Mata
A margem é o lugar privilegiado que o centro não pode ocupar.
A distinção geral entre o género masculino e o feminino vai além da natureza biológica; inclui comportamentos, a roupa que se espera que se use, quanto se ganha, além de muitas outras coisas. Mas como é que vemos uma pessoa que decide vestir-se e comportar-se como alguém que normalmente identificamos como pertencente ao sexo oposto? Como é que classificamos este caso atípico? Devemos considerá-lo um ser «híbrido» ou devemos alargar a lista de géneros? Será que a sociedade, de alguma forma, controla, estigmatiza e define rigorosamente esta divisão de géneros? Se recuarmos no tempo, até ao ano de 1975, o primeiro filme realizado por Serge Gainsbourg, Je t'aime moi non plus, traduzido para português como Amor Marginal, foi uma história sobre a impossibilidade de amar devido aos dogmas existentes. As obras dos artistas Ana Santos e Paulo Aureliano da Mata enquadram-se nesta marginalidade, uma vez que rejeitam esta distinção de género ditada pela sociedade e também porque partilham experiências e traumas que estão longe das convenções morais aceitáveis.